“O Som e a Sílaba”: Comédia musical de Miguel Falabella com trilha operística é obra-prima do teatro brasileiro

Por Paulo Fernando Góes

Finalmente o Rio de Janeiro tem a oportunidade de assistir uma das maiores obras-primas do teatro brasileiro. “O Som e a Sílaba”, em cartaz no Teatro XP Investimentos, no Jockey, é um desses espetáculos que só as décadas vão lhe conferir seu devido valor. O texto de Miguel Falabella certamente ficará para as próximas gerações e os produtores internacionais mais atentos certamente verão aqui a oportunidade de levar para seu país uma obra que, se montada com a mesma excelência da produção brasileira, arrebatará prêmios e cairá nas graças do público e da crítica especializada. Por aqui, “O Som e a Sílaba” foi indicado 23 vezes nas principais premiações do país e levou 5 delas.

FOTO: Julia Lanari.

FOTO: Julia Lanari.

A peça conta a história de um encontro entre a professora Leonor Delise (Mirna Rubim) e a aluna Sarah Leighton (Alessandra Maestrini), uma jovem diagnosticada com autismo altamente funcional. O estranhamento da professora pelo comportamento peculiar da aluna logo no primeiro encontro deixa claro que há entre as duas uma distância grande a ser percorrida. E o que aproxima as duas é justamente a música. O espetáculo pode ser considerado um musical, porém, não é convencional. Todos os números apresentados são de ópera e mesmo para quem conhece a exitosa carreira de Alessandra Maestrini nos musicais, irá se surpreender com o desempenho da atriz. O próprio Miguel Falabella, em entrevista ao programa “Encontro com Fátima Bernardes”, contou que duvidou da própria Maestrini quando ela se disse capaz de atingir as difíceis notas operísticas que a personagem necessitava. Antes do início do espetáculo, um áudio gravado pelo próprio autor adverte que as performances são ao vivo. Com toda certeza, sem essa informação, muitos voltariam pra casa acreditando que ouviram um playback das duas cantoras.

FOTO: Pedro Jardim de Matos.

FOTO: Pedro Jardim de Matos.

Mirna Rubim, professora na vida real e no palco, é impecável em cena. Uma diva que jamais deve ficar fora dos palcos. Os encontros da sua personagem com sua aluna acabam funcionando como sessões de terapia para Leonor, por motivos que manteremos em segredo, para não estragar as surpresas da dramaturgia. A comédia está sempre presente no texto e, embora passeando por terrenos perigosos, em nada soa apelativo ou ofensivo. Pelo contrário, a Síndrome de Asperger é tratada como potencializadora do talento de Sarah. E a atuação de Maestrini, como sempre, arranca gargalhadas numa vírgula. Em “O Som e a Sílaba”, Miguel Falabella, Mirna Rubim e Alessandra Maestrini estão em seus melhores momentos artísticos. O texto foi escrito especialmente pras duas e percebe-se claramente a sintonia e a felicidade do trio em realizar um projeto desta grandeza. Daria um excelente filme. Se quiserem, podem passar 10 anos em cartaz com casa lotada. É uma pérola do teatro a ser vista e, certamente, jamais esquecida.

FOTO: Julia Lanari

FOTO: Julia Lanari

“O SOM E A SÍLABA”

Texto e Direção: Miguel Falabella. 

Com Alessandra Maestrini e Mirna Rubim

Teatro XP Investimentos – Jockey Club Brasileiro (Av. Bartolomeu Mitre, 1.110 – Leblon, Rio de Janeiro)

Quinta a Sábado, às 21h; Domingos, às 20h.

Ingressos: De R$ 25 (meia) a R$ 100 (inteira)

Somente até 21 de abril de 2019! 

Comente via Facebook