“Quero Ser Regina”: Monólogo em homenagem a Regina Duarte está em cartaz no Leblon.

Por Cristiano Ayres.

Reestreou no Teatro Café Pequeno, no Leblon, em 28 de novembro, o monólogo “Quero Ser Regina”, com a atriz Paula Goja e direção de Cristiana Pompeu. Um espetáculo de caráter alternativo que conta a história de Paola, uma atriz que, em plena crise existencial, atravessa a angústia da escassez de trabalhos na área artística e entra em questionamentos acerca do seu ofício. No entanto, Paola é uma grande admiradora de Regina Duarte, cultua a sua obra e o espetáculo acaba por tornar-se uma grande homenagem à atriz. Tanto a atriz quanto a personagem são fãs de Regina Duarte.

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O espetáculo tem boa direção de Cristiana Pompeu, que já atuou nos musicais “Um Violinista no Telhado”, “O Mágico de Oz” e “Cinderella”, todos dirigidos pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho.

A personagem Paola é uma atriz com bagagem, já fez Tchekhov, Nelson Rodrigues e, pela falta de trabalho, pensa em escrever uma peça, a princípio uma comédia, para ganhar a identificação do grande público. Paola decide ser atriz a partir do convívio com seus primos, que tinham coleções de vinis das novelas “nacional” e “internacional”. Confusa, ela cogita se enveredar pelo drama mas reflete: “Se falar que é drama, a pessoa tem medo de não entender”. Filha única, Paola veio do interior do Rio para se estabelecer em Botafogo e seu figurino traz acessórios que remetem a personagens de Regina Duarte, como o adereço na cabeça usado pela Viúva Porcina em “Roque Santeiro” ou o blazer de Helena, em “Por Amor”.

A cenografia despojada onde se passa todo o espetáculo (com ar retrô dos anos 1980/1990) foi criada por Danilo Gomes e se encaixa perfeitamente no perfil da personagem, assim como o figurino, também assinado por ele. A voz em off de Ricardo Juarez traz outros personagens para a cena, como a psicóloga, o ex-affair e o diretor do teste.

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A busca pela aceitação, a dosagem certa da vaidade, lidar com a rejeição, a realização profissional x realização pessoal, a ânsia pelo sucesso, a instabilidade da carreira, saber digerir um fracasso e extrair dali um aprendizado são alguns dos incontáveis desdobramentos que surgem a partir desse monólogo.

“A televisão é considerada uma espécie de vitrine. Mas é um meio muito competitivo e conquistar espaço nele não é nada fácil, nem mesmo para aqueles que acumulam anos de experiência nos palcos. O que é ter sucesso? Uma atriz só pode ter sucesso quando está na tv?”, questiona Paula. “A peça traz muitas das minhas experiências. É uma comédia muito sensível, pois fala do ofício de ser atriz. Retrata as angústias de quem não consegue exercer a profissão e a ansiedade da espera por uma oportunidade”, completa Paula.

O espetáculo acontece às 3as e 4as e fica em carta somente até o dia 20 de dezembro.

 

“QUERO SER REGINA”

Teatro Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon)

3as e 4as, às 20 horas.

Texto e Elenco: Paula Goja

Direção: Cristiana Pompeu

Ingressos: R$30 (inteira) e R$10 (meia e lista amiga)

Voz em Off: Ricardo Juarez

Cenário e Figurino: Danilo Gomes

Desenho e Operador de Luz: Gustavo Rizzoti

Somente até 20/12!

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