“Peça do Casamento”: Eliane Giardini e Antônio Gonzales apresentam texto de Edward Albee no Sesc Ginástico

Por Redação

Quando um espetáculo estreia, sempre há ajustes a serem feitos, os atores nem sempre estão relaxados e íntimos dos seus personagens e em estreias VIP, há mais tensão ainda. Mas não foi o que se viu na estreia VIP de “Peça do Casamento”, excelente texto de Albee em cartaz no SESC Ginástico, no Centro do Rio, com Antônio Gonzales e Eliane Giardini. Como o espetáculo já cumpriu turnê pelo país, os atores estão afiadíssimos e à vontade na pele do casal que está prestes a se separar após 30 anos de casamento.

Considerado um dos maiores dramaturgos americanos, Albee é autor de mais de 30 peças, algumas das quais se tornaram clássicas instantaneamente e foram premiadas com as honrarias máximas do teatro contemporâneo, o Tony Awards e o Prêmio Pulitzer, como “Quem tem medo de Virgínia Woolf” (1962) e “Três Mulheres Altas” (1991), que venceu o Pulitzer de 1994.

A ficha técnica do espetáculo chama atenção pelos grandes nomes que ali estão: o texto ganhou a adaptação e direção de Guilherme Weber, a cenografia é de Daniela Thomas e Camila Schmidt, iluminação de Beto Bruel e figurino de Bruno Perlatto.

FOTO: Fernando Young.

FOTO: Fernando Young.

“Peça do Casamento” justamente mostra como a dramaturgia de Albee trabalha questões atemporais e intrínsecas às relações sociais e afetivas. O autor faz do embate entre um marido e uma esposa um jogo de metalinguagem e desconstrução do gênero “peça de relacionamento” nesta sua ácida comédia. Após trinta anos juntos, uma crise obriga um casal a revisar suas vidas e os embates que se seguem os obrigam a aprender algo sobre si mesmos e sobre o outro.

 “O casamento como instituição social fundamental da cultura ocidental é um dos temas fetiches de sua obra e isso sempre me pareceu fascinante. Além dos fascínios pelos meandros que sustentam a fragilidade de um casamento, a maneira que Albee, especificamente nesta obra, propõe um paralelo entre o casamento e o jogo teatral é muito instigante para um diretor. Usar os mecanismos da cena para iluminar, aprofundar e até revelar aspectos da obra está sendo um exercício fascinante”, conta o diretor Guilherme Weber.

Diferentemente de seus outros trabalhos que se tornaram clássicos da dramaturgia, a “Peça do Casamento” ainda não é um texto muito encenado no Brasil. A adaptação de Guilherme Weber é a segunda de uma trilogia que traz o casamento como temática, levada aos palcos pelo diretor também na peça “Os Realistas”, de Will Eno, e que será completada com “De Verdade”, de Tom Stoppard, ainda inédita.

“A percepção de uma trilogia aconteceu de maneira bastante informal. Junto com a montagem de ‘Os Realistas’ percebi que as ideias de futuras montagens falavam principalmente do mesmo tema, o casamento e suas diversas manifestações. Então se formou esta ideia de trilogia”, conta Weber.

A trilogia também traça um painel sobre a dramaturgia anglo saxã do final do século passado, com dois textos da década de oitenta, “De Verdade”, de 1982, e “Peça do Casamento”, de 1987, e do início deste século, com “Os Realistas”, de 2014. Estes três autores também seguiram se influenciando mutuamente, tendo Eno sido um aluno direto de Albee, enquanto Stoppard foi altamente influenciado pelo jogo de Albee durante o processo para criar a sua comédia sobre amor e teatro.

 

“Peça do Casamento”, de Edward Albee

Adaptação e Direção: Guilherme Weber

Com: Eliane Giardini e Antônio Gonzalez

SESC Ginástico
Sextas e Sábados, às 19h. Domingos, às 18h.

Até 30 de junho de 2019!

Classificação etária: 14 anos

Ingressos: R$ 7,50 (habilitado Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira).

* 50% de desconto mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, que será revertido para o projeto Mesa Brasil.

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