ENTREVISTA: Verônica Debom – “O Abacaxi” tem temporada prorrogada no Teatro do Tablado.

Por Paulo Fernando Góes.

Após estrear no Festival Cena Brasil Internacional e de uma breve temporada no Espaço Cultural Sérgio Porto, o espetáculo “O Abacaxi” tem sua temporada no Teatro do Tablado prorrogada por mais 1 semana. Na comédia de humor ácido, os atores Veronica Debom e Felipe Rocha, casados há quatro anos, dividem o palco para falar sobre o amor e alguns de seus possíveis formatos. Com direção de Debora Lamm, a montagem marcou a estreia de Veronica no teatro como dramaturga.

Confira a entrevista com Veronica Debom sobre “O Abacaxi”.

#INCITARTE – Você estreou “O Abacaxi” no Festival Cena Brasil Internacional, ao lado de grandes nomes estrangeiros e de Álamo Facó, outro ator que imergiu na dramaturgia com o aclamado espetáculo “Mamãe”. Logo, a expectativa em torno do seu texto era grande. Agora, na 3a temporada do espetáculo, qual sua avaliação em relação às suas expectativas e à receptividade do público?

VERÔNICA DEBOM – O público tem sido muito receptivo, generoso e afetuoso. Minha expectativa era exclusivamente tocar, me comunicar com as pessoas e talvez levar algo (uma discussão, uma reflexão, uma sensação) de produtivo ou bom para suas vidas. Nos momentos em que percebo que isso aconteceu fico muito feliz e satisfeita.

#INCITARTE – Seu marido, Felipe Rocha, atua com você em “O Abacaxi” e venceu os mais importantes prêmios teatrais de 2011 pelo texto “Ninguém Falou quer Seria Fácil”. Qual foi a interferência dele no seu texto?

VERÔNICA DEBOM – O que faz você presumir que houve uma ” interferência”? Reconhece essa perigosa linha de raciocínio? Tenho muitas inspirações e referências artísticas e provavelmente o Felipe está entre elas. Não houve nenhuma interferência. Como você pode perceber, o texto é assinado por mim. Inspirações e referências são palavras mais apropriadas quando o texto é escrito por uma pessoa só e você provavelmente as teria usado se eu fosse um homem, como você. Estejamos mais atentos.

#INCITARTE – Não é uma questão de gênero. O fato de vocês serem um casal interpretando um casal já não leva para cena uma interferência dele? No release do espetáculo, está atribuída a você a seguinte frase: “O Felipe já escreve e sempre insistia para que começasse também”. Isso já não é uma interferência? Durante o processo, ele não deu nenhuma opinião sobre seu texto que a fez ter outro olhar sobre a própria obra?

V.D. – O nome disso é influência. Interferência parte do pressuposto que ele mexeu em alguma coisa. Mas ele me estimulou muito a escrever a peça e sugeriu, junto com a Débora Lamm, que eu tirasse três das cenas.

#INCITARTE – Vocês são um casal de atores e o texto trata das intimidades de casais e de modelos modernos de relacionamento. Quão biográfico é “O Abacaxi”?

V.D. – “Todo texto é autobiográfico”, disse Caetano? Fellini? Então, é claro que tudo veio do que me compõe, todas as minhas experiências, as coisas que eu vi pelo mundo, mas isso não tem nada a ver com eu e Felipe sermos um casal. Até porque eu não era virgem quando o conheci, como você pode imaginar. E também não vivi todas as experiências retratadas na peça (seria impossível, por sinal). A peça foi escrita pra ser encenada por um homem e uma mulher, não necessariamente nós dois, não necessariamente num relacionamento amoroso na vida.

#INCITARTE – Você é uma atriz conhecida pelos seus trabalhos em comédia. Ainda pretende escrever um drama ou mesmo as situações difíceis serão transformadas por você em comédia?

V.D. – “O Abacaxi” não é uma comédia. O gênero que me interessa é a tragicomédia porque é maneira que eu vejo a vida. Não vejo o drama separado do humor. Na verdade são a mesma coisa, de pontos de vista diferentes. Depende do envolvimento ou do distanciamento com o objeto em questão. Pra exemplificar o que eu estou querendo dizer: para a pessoa que caiu no chão, escorregar numa casca de banana foi um drama. E me interessa justamente mostrar que existem os dois ângulos.

#INCITARTE – Em sua opinião, ser contratada por uma grande emissora e estar no ar com algum programa, ajuda a levar público ao Teatro?

V.D. – Não posso responder por todos os contratados de grandes emissoras, mas no meu caso, eu diria que não. Trabalho na TV muito caracterizada e dificilmente sou reconhecida. Até na imprensa erram qual a atriz que está fazendo qual papel no “Tá no Ar” por baixo da peruca e da maquiagem.

#INCITARTE – Você pretende dar vida longa a “O Abacaxi” ou já tem outro espetáculo em vista?

V.D. – Escrevi esse texto para servir às pessoas. Enquanto parecer relevante e estar trazendo algo bom para o público, enquanto as pessoas requisitarem, eu continuarei fazendo o espetáculo.

“O Abacaxi”

Teatro O Tablado

De Veronica Debom

Direção: Debora Lamm

Com Veronica Debom e Felipe Rocha

6a e sábado, às 21h e domingo às 20h.

Ingressos: R$ 40 (inteira)

Até 3 de setembro.

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