“MPB – Musical Popular Brasileiro” tem bem desenhadas coreografias e atuações destacadas de Giulia Nadruz e Érico Brás.

Por Paulo Neto.

Para configurar a vasta escolha de canções populares brasileiras dentro de uma dramaturgia que alinhavasse o teatro de revista de forma coerente e divertisse o público, os autores Enéas Carlos Pereira e Edu Salemi (ambos do programa infantil “Cocoricó”, da TV Cultura) tentam injetar alguma atualidade (empoderamento feminino, por exemplo) a um espetáculo com intenções de obter plateias diversificadas – desde o público saudoso até jovens digitalizados.

O repertório passeia por Chico Buarque, Caetano, Gil, Tom & Vinícius, Roberto Carlos, Dorival Caymmi, Belchior e Gonzaguinha. “Alô, Alô Brasil”, de Eduardo Dussek, abre o espetáculo (sim, o público sai cantarolando no final) que também traz “Aonde Quer Que Eu Vá”, de Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso).

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Estão presentes no musical um malandro carioca e um caipira mineiro são anjos no céu (em sketches de comédia que lembram “Zorra Total” ou “Viva O Gordo”), uma assistente de direção que assume o papel do diretor (mulheres ganhando poder) e passistas que colorem o palco com o carnaval do Brasil. “MPB – Musical Popular Brasileiro” foi feito para ser nostálgico e pega carona em produções que ressuscitam músicas célebres. O texto poderia ser mais bem trabalhado. O foco do tema poderia ter sido mais direcionado. Há a impressão de tudo ter sido feito às pressas. Uma salada musical que tenta agradar a gregos e troianos.

O elenco é bem escolhido. Giulia Nadruz, a protagonista, sobressai além do texto e conquista com sua energia cênica. Adriana Lessa sai-se muito bem em canções coletivas mas escorrega no tom no início de “Aonde Quer Que Eu Vá”. Érico Brás é um comediante habilidoso e tem momentos conquistadores (além da surpreendente boa voz). O versátil Reiner Tenente (numa clara homenagem a Oscarito e Mazzaroppi) poderia enxugar metade das abundantes caipirices e do sotaque repetido à exaustão. Dagoberto Feliz (que brilhou em “Roque Santeiro – O Musical”) faz um trabalho correto e Marcelo Góes, por muitas vezes, lembra o Sargento Pincel de Roberto Guilherme em “Os Trapalhões” (o programa de TV). As reminiscências da televisão estão quase sempre presentes, resta saber se são involuntárias ou planejadas.

O ensemble executa coreografias bem desenhadas da sempre competente Kátia Barros. Há que se destacar os vibrantes Davi Tostes, Oscar Fabião, Mariana Gallindo e Mariana Barros. Os figurinos são do extraordinário Fábio Namatame, que costuma arrebatar em produções de época, mas aqui faz vestiários apenas convenientes. A cenografia de Marco Lima (que criou arquiteturas cênicas belíssimas em “Dois Filhos De Francisco – O Musical”) traz casas populares que lembram comunidades nas laterais do palco, onde ficam instalados os músicos e por onde o ensemble sobe e desce em movimentações preenchedoras. Jarbas Homem De Mello, o diretor, quase sempre acerta em suas atuações (“Cabaret”, “Chaplin”) mas nem sempre lidera elencos com a mesma qualidade.
“MPB – Musical Popular Brasileiro” funciona muito mais musicalmente do que nos sketches de comédia. As coreografias também fazem dele um espetáculo mais encorpado.

“MPB – Musical Popular Brasileiro”

De Enéas Carlos Pereira e Edu Salemi.

Com Adriana Lessa, Érico Brás, Danilo de Moura, Giulia Nadruz, Reiner Tenente, Marcelo Góes, Dagoberto Feliz, Carol Tanganini, Leilane Teles, Mariana Barros, Mariana Gallindo, Nina Sato, Vivian Albuquerque, Daniel Cabral, Davi Tostes, Eduardo Leão, Guilherme Leal, Leandro Naiss e Oscar Fabião.

Direção: Jarbas Homem De Mello

Direção Musical e Arranjos: Miguel Briamonte

Direção de Movimento e Coreografia: Kátia Barros

Cenografia e Adereços: Marco Lima

Iluminação: Fran Barros

Figurinos: Fabio Namatame

Visagismo: Dicko Lorenzo

5as e Sábados, às 21h, 6as, às 21h30 e Domingos, às 20h.

Teatro das Artes (Shopping Eldorado, Avenida Rebouças, 3970 – São Paulo)

Ingressos a partir de R$ 50 (à venda pelo tudus.com.br)

Até 15 de julho de 2018.

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