“Luas de Há Muitos Sóis” – Excelente espetáculo no CCBB-RJ inspirado em conto de Mia Couto.

“Tudo começa no breu. Com a pupila dilatada e olhos arregalados, somos atingidos pelo olfato. Que cheiro é esse de fumaça? De tempero… Os ouvidos se agigantam. A gente ouve cada som e cada ruído. Vamos sendo submergidos nesse mundo dessas luas e estes sóis, nessa jornada pelo indefinido. Quando a luz finalmente se apresenta, ainda muito mansa, escura, nos vemos diante de três figuras assombrosas. Múmias? Monstros? É para sentir medo, aversão, pena? O coração fica inquieto, pequeno. O olho não pisca. Não tem mais jeito. A magia começou. Somos tragados por tempo incerto. Quando vemos, já estamos de volta a nós mesmos, de pé, batendo palma e sorrindo. O que aconteceu? Céus! Foi teatro.”

Resenha de Thiago David para o espetáculo “Lua de Há Muitos Sóis”.

O belíssimo espetáculo cumpre curtíssima temporada no CCBB-RJ.

Dirigida por Moncho Rodriguez e com Marina Duarte, Natascha Falcão e Priscila Danny no elenco, a peça faz uso de um universo fantástico para trazer à tona questões atuais como a busca por si e pelo destino que se sonha.

A Cia Nina chegou mostrando potência com seu primeiro espetáculo “Lua de há muitos sóis” inspirado do conto “As três irmãs”, do apaixonante Mia Couto. Moncho Rodriguez fez um trabalho primoroso na adaptação do texto, nos guiando pelo tempo, pelas ideias e pelas sensações com uma linha narrativa muito delicadamente costurada. Na verdade, todo o espetáculo é um acúmulo de acertos convergentes. Todos os nossos sentidos são atiçados. A música de Narciso Fernandes, o figurino de Moncho Rodriguez e as interpretações de Marina Duarte, Natascha Falcão e Priscila Danny são absolutamente impecáveis. O sotaque pernambucano em nossos ouvidos cariocas soam como luvas de cetim, tornando a experiência ainda mais mágica e inebriante.

Parte crucial de um espetáculo é marcada pelos momentos que sucedem seu fim. É o tempo onde a gente digere o que viveu. Pois bem, a potência de “Luas de há Muitos Sóis” se garante ainda mais nessa hora. É impossível falar de outra coisa. Relembrar, repensar a peça é uma cachaça. Alguns trechos ficam marcados na alma. Não tem jeito. A gente se distrai, olha longe e se pergunta: “O que faremos quando chegarmos às portas dos mundos?”.

O espetáculo está em cartaz no CCBB-RJ, somente até dia 04/12/16.

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