“SUPERMOÇA” – Após incêndio no Teatro Clara Nunes, espetáculo faz vaquinha para se reerguer. Saiba como ajudar.

Corredor do shopping da Gávea onde fica o Teatro, inundado após ação dos bombeiros.

Corredor do shopping da Gávea onde fica o Teatro, inundado após ação dos bombeiros.

Ver um Teatro fechar as portas é sempre doloroso mas quando se trata de um incêndio, a dor é ainda maior. Em um incêndio, não há tempo para encaixotar adereços ou desmontar o cenário. As chamas consomem em segundos o sonho que se levou anos para construir. Foi o que aconteceu na tarde de ontem no Teatro Clara Nunes, no shopping da Gávea. Como é comum ouvir em casos de incêndios, não se sabe ao certo onde a chama começou. O que se sabe é que o Teatro, que tem capacidade para 482 espectadores, passava por reformas para criar um mezanino com mais lugares, um projeto ambicioso para aquele espaço. Na estreia do espetáculo “Corta!”, tapumes indicavam que havia uma obra no local. Antigo Cine-Teatro Imprensa Oficial, o Teatro Clara Nunes foi inaugurado na década de 1960 e em 1993 passou por uma grande reforma, quando recebeu nova iluminação, sistema de som, poltronas e ar-condicionado.

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O autor e diretor Márcio Azevedo assina dois dos três espetáculos que estavam em cartaz no Teatro Clara Nunes.

Nesta sexta-feira, a atriz Izabella Van Hecke estrearia seu monólogo “Supermoça” no Teatro Clara Nunes, com texto e direção de Márcio Azevedo, o mesmo nome responsável pelo texto (junto com Vini Soares) e direção de “Corta!”, outro espetáculo em cartaz no Teatro, com Dadá Coelho e Beto Carramanhos.

Ambos os espetáculos trazem seus protagonistas interpretando personagens que conhecem bem: Beto é um cabeleireiro na vida real e no palco, assim como Van Hecke é uma aeromoça na peça e nas passarelas dos aviões. A diferença, no entanto, é financeira. Enquanto “Corta!” pôde contar com o patrocínio da HALLIBURTON, “Supermoça” foi feito sem absolutamente nenhum patrocínio ou apoio. Porém, ambos os espetáculos já bateram o martelo: vão voltar em cartaz.

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A atriz Izabella Van Hecke se endividou para levantar seu monólogo: “A sensação é de que o trabalho de uma vida inteira foi jogado fora”.

Van Hecke, em um ímpeto de ousadia comum aos que são seguros do seu talento, resolveu bancar seu sonho e se endividou para estrear em um teatro nobre da Zona Sul. Em 2016, a atriz experimentou o espetáculo em duas apresentações na Barra e a receptividade foi imensa. A comédia sobre as peripécias vividas no ar pela aeromoça Pérola agradou tanto que a atriz/comissária se encorajou para montar o espetáculo na zona sul.

Tentamos contato com o produtor de “Supermoça”, Rafael Carretero, mas ele ainda estava em estado de choque e não conseguiu falar. Rafael chegou a vender seu carro, um Corsa, para cobrir os custos da produção do espetáculo. Quando começou o incêndio, ele estava no teatro e falava ao telefone com o diretor Márcio Azevedo. “Tá pegando fogo! Tá pegando fogo!”, gritou Rafael, antes de desligar o telefone. Após o incêndio, o produtor postou numa rede social: “Está tudo bem com o físico da gente. Todos conseguimos sair. O psicológico virou cinzas…”

Para que o espetáculo aconteça, foi criado um crowdfunding (financiamento coletivo) na plataforma Vakinha, onde doações serão convertidas em ingressos. Até mesmo um pocket-show para empresas é oferecido como recompensa. Aos que quiserem contribuir, basta clicar neste LINK PARA COLABORAR COM VAQUINHA PARA O ESPETÁCULO “SUPERMOÇA”. O projeto pede mas as circunstâncias obrigam a nós, amantes do Teatro, a colaborar. Fazer teatro está mais difícil do que sempre, mesmo para nomes consagrados. Imagine para uma ainda anônima atriz, imagine depois de um incêndio que destruiu tudo, a 3 dias da estreia.

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A atriz Izabella Van Hecke numa pausa do ensaio de “Supermoça” com o diretor Márcio Azevedo: cenário virou cinzas.

Já os atores da comédia “Corta!”, se manifestaram através das redes sociais. “Estou de luto, vestida de dor! Graças a Deus, nenhuma vítima.”, disse Dadá Coelho. Beto Carramanhos agradeceu o carinho recebido e escreveu: “Alívio e felicidade por não ter machucado ninguém e muita tristeza de ver todo um projeto feito com muito amor sendo destruído pelo fogo. Claro que nos abateu muito. Não só a mim como a todos os envolvidos. O que eu tenho pra dizer é que não vamos nos abater e vamos juntar forças para voltar com força total. Não sei como, quando e onde, mas eu sei que em breve voltaremos com uma estreia triunfal!”.

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Beto Carramanhos e Dadá Coelho cumpriam temporada de sucesso da comédia “Corta!”. Em rede social, Dadá escreveu: “Me abracem. Hoje é um dia muito triste”.

Entramos em contato com Juliano Almeida, produtor do espetáculo “Corta!” e ele foi incisivo: “A gente vai voltar. Vamos nos reerguer agora, vamos entender como é que a gente consegue levantar novamente essa produção, que não é uma produção barata. Precisamos cumprir a temporada porque o espetáculo é patrocinado e temos que cumprir nossa agenda.” O produtor contou ainda que o fogo não chegou até o camarim, onde estavam os figurinos.

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Cenário do salão de “Corta!”, inspirado nas divas do cinema. O cenógrafo José Carlos, presente no princípio do incêndio, quase se intoxicou ao tentar apagar o fogo.

O infantil “Uma Aventura no Mar”, de Fred Trotta, inspirado no filme Moana, também estava em cartaz no Teatro Clara Nunes. A produtora “Faz Assim” informou em sua FanPage no Facebook que os ingressos serão ressarcidos pela forma como foram comprados. Até o fechamento da matéria, a produção não tinha real dimensão dos seus prejuízos.

Todos estão aliviados pela ausência de vítimas e isso é o mais importante. Porém, há um teatro a ser reconstruído e espetáculos a serem levantados novamente. Ao público, o que nos resta é colaborar com estes projetos para que seu retorno seja em breve e prestigiá-los em suas retomadas triunfais, brindando ao Teatro e à vida.

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