“Gritos” – Companhia Dos à Deux apresenta espetáculo marcante no CCBB-RJ.

Não é para ser fácil. O próprio nome evidencia: Gritos. Serve de alerta. Mas são os olhos que escutam a agonia, não os ouvidos. Em forma de três poemas gestuais, somos travestidos e levados dentro de outras peles, assim como os intérpretes em seus bonecos. A partir desta fusão, as fronteiras são apagadas. Não existe mais eu, nem você, nem eles. A empatia reina, mesmo com estranhamento. Vemos como este é o nosso mundo e esta é nossa realidade. Não tem como virar o rosto, nem fechar os olhos. Os gritos precisam ser vistos e sentidos. Cada poema gestual é um grito diferente. Descrevê-los seria uma forma de diminuí-los, o que não seria justo com uma obra tão profunda. Posso dizer que o Grito 1 conta de Louise “Teu livro vai ficar na página 36”, o Grito 2 conta d’O homem “Aquilo que nos torna o que somos pode ser perdido…” e o Grito 3 conta sobre Kalsun “Os beijos abafam o som da guerra”. Todos são absolutamente marcantes.

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

A Companhia Dos à Deux mais uma vez nos deixa emudecidos ao misturar a densidade e a poesia de assuntos contemporâneos angustiantes através de construções dilacerantes. Palmas para a profunda criação e performance de André Curti e Artur Luanda Ribeiro e, consequentemente, para seus pares inanimados produzidos por Natacha Belova e Bruno Dante.

Recomendo o espetáculo para os corações inquietos, pessoas sem medo de diversidade, sem medo de poesia e sem medo de perceber a dor. “Gritos” fica em cartaz até o dia 16 de janeiro de quarta à domingo às 19h no CCBB-RJ.

Resenha: THIAGO DAVID.

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