“Giovanna – O Musical”: Último projeto de Paulo Afonso de Lima está em cartaz no Teatro Fashion Mall, escrito e dirigido por Bel Bianchi.

Por Paulo Fernando Góes.

Foi na CAL, a conceituada faculdade de Artes Cênicas do Rio de Janeiro, que Bel Bianchi conheceu Paulo Afonso de Lima, um dos maiores conhecedores de Teatro Musical. A parceria dos dois no espetáculo “Giovanna – O Musical”, inspirado na obra de Léon Denis, em cartaz no Teatro Fashion Mall, Rio de Janeiro, foi interrompida por uma fatalidade. Depois da primeira leitura do texto, Paulo Afonso veio a falecer mas Bel Bianchi quis levar adiante o projeto, assim mesmo.

“Giovanna – O Musical” é uma envolvente e bem-humorada história de amor, com reflexões sobre espiritualidade e um repertório recheado de clássicos da música italiana. A história tem agradado em cheio às senhoras frequentadoras do shopping Fashion Mall, onde fica o Teatro.

A história tem como cenário a região italiana da Lombardia dos anos 1920, onde vivem a órfã Giovanna e seus pais adotivos, um casal de ciganos. Um belo dia, Maurice, jovem da aristocracia francês, desiludido com a vida, chega ao vilarejo e acaba por conhecer os pais de criação da jovem Giovanna, os quais lhe contam sobre a existência de um anjo em Gravedona. A partir desse momento, a vida de Maurice começa a mudar.

A direção musical é de Patricia Evans, as coreografias, de Arthur Rozas e, no elenco, estão Sofia Toscano e Christian Villegas (foto), como o par romântico protagonista e Victor Gorlach e Ananda Ismail funcionando como o alívio cômico do espetáculo.

Confira a entrevista que fizemos com Bel Bianchi, a dramaturga e diretora responsável pelo musical.

#INCITARTE – Há muito tempo o teatro musical brasileiro não dá atenção para as canções italianas. Esse foi o motivo pela sua escolha neste universo ou foi por ter morado 2 anos na Itália?

BEL BIANCHI – Não foi pelo teatro brasileiro não ter explorado anteriormente as canções italianas, mas porque eu amo a Itália e sou apaixonada pelas suas canções. Desde pequena sempre sonhei com a Itália. Meu pai deu a volta ao mundo de navio e, sempre que chegava de viagem, me contava histórias incríveis da Europa e em particular da Itália. Isto fez com que me apaixonasse por este belo país. Na Itália comecei a me interessar pelos palcos. Sempre quis escrever um livro ambientado na Itália e acabei fazendo um musical ítalo-brasileiro. Considero a Itália minha segunda pátria.

#INCITARTE – O diretor Paulo Afonso de Lima faleceu logo após a primeira leitura de “Giovanna”. A ideia original era ter você na dramaturgia e ele na direção?

B.B. – Paulo Afonso de Lima era professor da CAL. Eu tinha acabado de fazer minha pós-graduação com David Herman e Paulo ficou sabendo que a minha peça de final de pós se destacou entre as demais e me convidou para ser sua diretora assistente. Tornamo-nos grandes amigos e confidentes, eu sempre contava para Paulo as minhas ideias e aventuras vividas na Itália e Paulo me passava muito do seu vasto conhecimento. Acabamos por dirigir juntos uma peça e nossos laços se estreitaram. Surgiu daí a ideia de escrever e dirigir juntos um musical diferente, ambientado na Itália, com músicas italianas cantadas ao vivo. “Giovanna – O Musical” acabou nascendo como um trabalho a ser tocado em conjunto, mas a fatalidade tirou o meu mestre e amigo logo no início do projeto.

#INCITARTE – O que a motivou a continuar o projeto, mesmo sem patrocínio e sem Paulo Afonso de Lima?

B.B. – Quando me vi sem o Paulo Afonso, pensei: ou eu faço da sua morte uma tragédia e tudo termina aqui ou eu escolho ir em frente com o projeto “Giovanna” em sua homenagem e seguir o nosso sonho. Acredito que, se eu tivesse parado, eu não seria a Bel que Paulo Afonso conheceu e com a qual ele se identificava. Como eu sou uma pessoa destemida, decidi me lançar no projeto com a cara e a coragem, apesar da pouca experiência na montagem de peças e nos meus limitados recursos.

#INCITARTE – Você tem uma companhia de Teatro chamada “A Serpente”, criada em janeiro de 2016. Qual o estímulo que vocês tem para começar uma companhia nesses tempos difíceis de crise para o país e, mais ainda, para o Teatro?

B.B. – Aprendi desde sempre que nada é fácil na vida. Quando temos um sonho, devemos fazer dele o nosso objetivo e o meu é “A Serpente” e “Giovanna – O Musical”. Estamos vivendo um momento difícil no teatro e, em geral, no Brasil, mas não é por isso que devemos permanecer inertes, esperando tempos melhores que ninguém sabe quando chegarão. Então, mãos à obra e que Deus me ajude para que “A Serpente” possa levar uma mensagem positiva, de amor e esperança para todos nós com “Giovanna – O Musical”.

#INCITARTE – “Giovanna” traz questões espíritas como reencarnação. Você teve receio de agradar somente uma parcela do público por isso?

B.B. – Não, nem Paulo e nem eu somos espíritas, mas a nossa visão da vida e do mundo se aproxima um pouco daquela do espiritismo. Quando escrevemos “Giovanna”, Paulo e eu não pensamos em fazer um musical espírita, mas sim escrever uma história de amor, leve e divertida, que levasse o público, de qualquer religião e crença, a resgatar suas emoções mais puras, refletir sobre a nossa existência e nossos sentimentos e enxergar a verdadeira razão de viver. Paulo sempre me fazia sorrir dizendo que o meu jeito de ver o mundo era igual ao de uma criança e “Giovanna – O Musical” quer resgatar no público a criança que está dentro de nós.

“GIOVANNA – O Musical”

Teatro Fashion Mall.

Quartas e Quintas, às 21h.

R$ 60 (inteira) / R$30 (meia)*

*Para pagar meia, basta levar 1kg de alimento não perecível para doação.

Somente até 31 de agosto!

Comente via Facebook