Química entre os atores.

“FRAMES” tem urgência e sensibilidade nos temas, humor desconexo e surpreendente química entre os atores.

Por Paulo Neto.

O dramaturgo Franz Keppler tem no currículo peças de grande qualidade como “Córtex”, “Divórcio”, “Camille e Rodin” e “Chuva Não, Tempestade”. O texto de “Frames” foi escrito há cerca de 8 anos e encenado em São Paulo com indicação ao APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) em 2009. Keppler reformulou e atualizou o texto, inserindo eventos e citações que remetessem mais especificamente aos dias atuais.

“Frames” são 4 histórias, 4 cenas, 4 quadros que discorrem sobre viver caoticamente em grandes centros urbanos, a liquidez dos formatos das relações humanas e as problemáticas de violências sociais. Ao mesmo tempo, a peça emoldura, de forma poética e esperançosa, possibilidades de encontros empáticos e afetuosos entre pessoas absolutamente distintas e diferentes. Medo da violência, amores despedaçados, solidões das metrópoles, possibilidades de afetos resgatados, entrevistas de empregos escassos e a homofobia que tanto mata nos dias atuais são temas pincelados, muitas vezes com eficiência e profundidade, outras vezes com tentativas menos bem-sucedidas.

Na encenação de 2009, a direção era de Flávio Faustinoni e trazia um elenco de 6 atores que se revezavam nos personagens de acordo com escolhas prévias do público. Nesta montagem, os diretores Camila Gama e Sandro Pamponet têm a colaboração de apenas 2 atores, que se desdobram em frames ora assertivos, ora dificultosos.

O frame sobre o ataque homofóbico é um acerto: texto, tom da direção e dos atores e relevância do tema. O frame sobre as pessoas presas no trânsito não tem a ressonância que poderia ter, possivelmente devido a inconsistência entre drama e comédia presentes no ótimo texto, mas trabalhadas de maneira assimétrica pelos diretores e pelo elenco. O humor eventual funciona em alguns frames, mas poderia ser mais lapidado na direção.

É interessante ver 2 jovens atores galãs buscando novos caminhos para suas carreiras: Hugo Bonemer, “descoberto” no montagem de “Hair”, de Charles Möeller e Claudio Botelho, e mais afeito aos espetáculos musicais, embarca em um drama com possibilidades de mostrar suas habilidades na comédia. Daniel Rocha, “descoberto” na novela “Avenida Brasil” e com pouca experiência no teatro, mergulha em viabilidades mais desafiadoras, ao encarar papéis tão diversos e testar o público cara-a-cara. Ambos entregam atuações habilidosas e perspicazes, conferem excelente química juntos (um grande feito) mas ainda não decidiram onde precisam usar de certa gravidade cênica ou onde a comédia tem a chance de brilhar mais que a densidade dos temas pesados. Drama e comédia nem sempre convergem para os melhores frames do texto, diga-se, bem escrito por Franz Keppler. Talvez uma aparada nas arestas por parte dos diretores conseguisse este entrelaçamento mais eficaz entre leveza, sensibilidade e o peso de alguns temas.

Ao longo da temporada, sem dúvida, tanto Bonemer quanto Rocha, aquecerão suas perspectivas dramáticas e entregarão interpretações ainda mais acertadas. “Frames” vale pela urgência e sensibilidade do texto, pela inegável química entre os 2 atores e pela promessa de novos caminhos para seus intérpretes. É notório que é uma peça em movimento, inconstante e impermanente. E os envolvidos saberão o que isto significa, beneficamente, para melhores resultados, ao longo da temporada.

“FRAMES”

Com Hugo Bonemer e Daniel Rocha

Texto: Franz Keppler

Direção: Camila Gama e Sandro Pomponet

Sexta e Sábado, às 21h
Domingo, às 19h

Ingresso: R$ 60,00

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Teatro Morumbi Shopping

Até 24 de setembro!

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