LONDRES: Amber Riley é a força poderosa do assombrosamente bem-sucedido “Dreamgirls”.

Por Paulo Neto.

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“Dreamgirls” conta, ficcionalmente, a trajetória de um grupo musical de Chicago. Livremente inspirado nas Supremes e em Diana Ross, é um painel vibrante de parte da história da black music americana dos anos 60 e 70. É também uma história sobre o poder feminino, traição, abandono e o triunfo de uma voz. Há 36 anos (em 1981) estreava, na Broadway, a primeira e mítica versão, com Jennifer Holliday no papel de Effie White, a mulher acima do peso, obstinada e com voz de trovão que é abandonada pelo homem que ama.

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Amber Riley como Effie White: força poderosa em cena.

A montagem de Londres (é a primeira vez que o musical é encenado no West End) é dirigida pelo competente Casey Nicholaw (de “Aladdin”, “The Book Of Mormon” e “Something Rotten!”). Todas as críticas se rasgaram em elogios ao elenco, especialmente a Amber Riley (do seriado “Glee”). De fato, o trabalho (vocal e dramático) da atriz é de uma qualidade invejável. Effie tem um arco dramático muito transparente: vai da juventude ao amadurecimento e essa trajetória é mostrada não só na maquiagem e no figurino (excelentes), mas também em um eficiente trabalho de corpo e, claro, no estrondo da voz que ecoa pelo Savoy Theatre e deixa os espectadores de queixo caído. Os melhores momentos de Riley, além da antológica “And I Am Telling You I’m Not Going”, são a comovente “I Am Changing”, a melancólica “One Night Only” e a fabulosa “Listen” (um dueto com Liisi LaFontaine, a ótima atriz que interpreta Deena Jones). A soul-R&B “Listen” foi escrita por Beyoncé para o filme de 2006. A canção é uma expressão da independência da personagem Deena Jones diante do controle excessivo do marido. Em uma montagem americana de 2009, a letra foi modificada para virar um dueto entre Deena e Effie e também para servir como hino de reconciliação entre as duas personagens. Essa versão modificada é incluída na nova montagem.

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Adam J. Bernard levou o Olivier Award de Melhor Ator Coadjuvante pelo seu trabalho como o cantor Jimmy Early.

A belíssima montagem londrina tem ritmo incessante, iluminação fantástica (um trabalho estupendo de Hugh Vanstone), figurinos lustrosos e uma direção vivaz mas é um musical cujo apelo real e principal são as vozes assombrosamente incríveis de todo o elenco, especialmente a de Amber Riley.

Há que se ressaltar o trabalho dos coadjuvantes. Joe Aaron Reid está surpreendente como Curtis Taylor Jr (papel de Jamie Foxx no filme), o inescrupuloso vendedor disputado pelas duas mulheres. E também Adam J. Bernard que, de forma inteligente, vive o elétrico cantor Jimmy Early (interpretado por Eddie Murphy no cinema). Tanto Amber Riley quanto Bernard venceram o Olivier Awards (a maior premiação teatral de Londres) de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante em musicais. O cast londrino acaba de gravar um álbum, que será lançado nas próximas semanas.

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“Dreamgirls” é uma jornada empolgante de amadurecimentos, poderes vocais e empoderamento feminino. Uma montagem realmente inesquecível e que tem deixado londrinos e turistas maravilhados. Um dos musicais mais emocionantes que vi nos últimos anos.

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