“Cenas Afora”: Mesmo sem receber pelo Fomento, solos femininos voltam em cartaz no Teatro Serrador (RJ).

Com o desejo de dar continuidade a pesquisa de seus solos, de trocar com pessoas fora do eixo tradicional da cidade do RJ, Cynthia Reis, Mariana Nunes e Monique Vaillé criaram o projeto “Cenas Afora”. O projeto tem como propósito a circulação dos solos das atrizes idealizadoras do projeto e solos de atrizes convidadas ocupando casas, teatros e espaços não convencionais. Em 2016 “Cenas Afora” ocupou o “Cafofo da Nega” no Vidigal-RJ com o evento “Cenas no Cafofo” onde realizou 6 edições de forma independente e foi selecionado para o programa de Fomento as Artes 2017 da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade do RJ. Em 2017, mesmo sem ainda receber o fomento , já foi realizada a primeira edição do “Cenas no Cafofo” no dia 06 de Maio e no dia 30 de Maio será realizado no Teatro Serrador mais uma edição do Cenas Afora, fechando o projeto “Pela Cidade, Geografias da Cena” idealizado por Natasha Corbelino.

Sosseguei de Cynthia Reis

“Sosseguei”, de Cynthia Reis, uma das idealizadoras do projeto.

“Cenas Afora” opta por solos protagonizados por mulheres, transexuais, travestis e ativistas desse período do movimento feminista com o objetivo de dar voz a mulheres tão diferentes entre si. Novas atrizes são convidadas a cada edição, afirmando assim a representatividade, oportunidade de diálogo, troca de experiências, vozes representantes de diferentes classes sociais.

Em 2016, passaram pelo “Cenas no Cafofo”, as atrizes Raquel Alvarenga, Ana Flávia Cavalcanti, Dandara Vital, Theo Oliveira, Rosana Viegas, Miwa Yanaguizawa, Kika Farias, Melissa Arievo e Ana Chagas dirigida por Tracy Segal. Nesta edição especial do “Cenas Afora” dentro do projeto “Pela Cidade, Geografias da Cena”, idealizado por Natasha Corbelino, além dos solos de Cynthia Reis, Mariana Nunes e Monique Vaillé, a atriz Dandara Vital também participará com seu solo, repetindo a parceria já iniciada no evento do “Cenas no Cafofo”, em 2016.

Cenas Afora” (fechando a programação do “Pela Cidade, Geografias da Cena”)

30/05/2017, às 19:30, no Teatro Serrador (Rua Senador Dantas, 13 – Centro)

Ingressos: R$ 40 (inteira), R$20 (meia) e R$10,00* (lista amiga)

* Coloque seu nome na lista amiga através da FanPage facebook.com/cenasafora.

ÚNICA APRESENTAÇÃO!

Sobre as Cenas:

1) CERTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA DE ATORES – MÉTODO DA ENZIMA MONOAMINA OXIDASE.

Texto e Atuação: Monique Vaillé

Supervisão de Dramaturgia e Direção: Diego Molina

A funcionária do INPAC (Instituto Nacional de Pesquisa das Artes Cênicas) Stefanny Pereira, realiza um teste de certificação obrigatório à todos que se dizem “atores profissionais”. Através dele, o governo federal avalia o talento do indivíduo, permitindo que ele continue ou não a desenvolver seus trabalhos artísticos de forma legal. O teste é baseado na presença de uma enzima, a Monoamina Oxidase, que estaria presente em enormes quantidades nos “atores verdadeiros”, diferenciando-os dos “falsos atores”.

2) “(IN)VISÍVEL”

Texto, Atuação : Mariana Nunes

Direção: Mariana Nunes e Juliano Gomes

“(In)visível” aborda a invisibilidade da mulher negra na sociedade brasileira. Partindo da gravação de vozes de diversas mulheres, de diferentes lugares da cidade do RJ, do Brasil e do mundo, que na maioria das vezes são realizadas na comunidade local onde a performance será apresentada, um banco de vozes é arquivado e usado como “texto da cena”.

3) “SOSSEGUEI”

Texto e Atuação: Cynthia Reis

Direção: Kel Cogliatti

Sosseguei” é uma micro- obra do gênero Realismo fantástico. Conta a história de uma menina, animadora de festa infantil que se veste da personagem Elza.  A fantasia e a realidade se confundem e ela embarca em uma saga para se DESPRINCESAR. A micro-obra busca discutir temas como o que é ser menina hoje, auto-imagem, o amor romântico, e a imagem que a publicidade faz das meninas.

4) CENA CONVIDADA: DIVA DA SARJETA

Texto, Atuação e Direção: Dandara Vital

A partir da emergente visibilidade que as vivências trans estão ganhando, o campo da afetividade ainda se encontra negligenciado: preterimento em relacionamentos, objetificação e hipersexualização dos nossos corpos que não permitem que sejamos vistas como dignas de afeto. Por reconhecer a urgência de virmos a nos aprofundar nas questões afetivas e trazer questionamentos acerca dessas vivências, Dandara Vital, mulher trans negra vem falar sobre a solidão da mulher trans.

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