“Cais ou Da Indiferença das Embarcações” – Premiado espetáculo volta ao SESC Copacabana para 6 apresentações.

Por PAULO FERNANDO GÓES.

Após uma curta temporada no SESC Copacabana em 2016, interrompida bruscamente por motivos nebulosos, volta ao Rio de Janeiro a Velha Companhia com sua talentosa trupe, capitaneada por Kiko Marques, no premiado espetáculo “Cais ou Da Indiferença das Embarcações”. Do dia 11 a 15 de janeiro, os cariocas terão 6 chances para conferir um dos maiores acontecimentos do teatro brasileiro de todos os tempos. E, acredite, não é exagero. Abaixo, segue a resenha escrita na ocasião da temporada carioca. Corra para garantir seu ingresso porque é certo que vai esgotar.

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

“Há alguns espetáculos que agradam em cheio a classe artística, a crítica especializada e até o júri de importantes premiações mas que não atingem o grande público. E não me refiro ao número de espectadores e sim ao quesito comunicação.

Há quem se encante com propostas conceituais de encenadores, linguagens inovadoras e narrativas não lineares e há quem sente no teatro esperando “apenas” ser tocado por uma boa história que faça rir ou chorar mas que, acima de tudo, seja assimilável. E, no meio disso, há um ponto de interseção muito almejado e dificílimo de se acessar: o espetáculo que combina todas as qualidades cênicas possíveis a uma boa história que se comunique com o público.

Pois está em cartaz no Rio de Janeiro um exemplo dessa rara interseção: “Cais ou Da Indiferença das Embarcações”, da Velha Companhia. É o mais puro teatro, em sua essência, aliado a um drama épico, escrito e dirigido com maestria por Kiko Marques.

A história começa na década de 20 e acaba nos anos 90, atravessando 3 gerações de personagens que são magistralmente interpretados pelo coeso grupo de atores. Ninguém se destaca porque absolutamente todos estão ali trabalhando no nível máximo de excelência.

Sobre a trama, nada vou dizer para não estragar as muitas surpresas que lhe aguardam. Apenas adianto que as histórias não são lineares, elas vem e vão no tempo mas a compreensão não é prejudicada em nenhum momento, graças a um narrador que situa o ano da próxima cena e a um quadro de madeira com os nomes dos personagens.

Este é um típico exemplo do clichê teatral de que menos é mais. Os atores interpretam o mesmo personagem da infância à velhice ou, às vezes, mais de um personagem e, para tal, a brilhante direção de Kiko Marques dispensou perucas ou trocas de figurinos. Apenas alguns adereços fazem a transformação, tão sutis quanto a interpretação, porém, suficientes para enxergar o amadurecimento das personagens.

A trilha sonora é tocada ao vivo e dá ao espetáculo um ar cinematográfico. Por mais teatral que seja, a sensação da plateia é de ver um filme. Algo como “A Casa dos Espíritos”, de Isabel Allende. A duração é de 3 horas e meia, com 15 minutos de intervalo, onde não vi nem ouvi sequer um bocejo, um olhar para o relógio, nem mesmo uma tosse.

O segundo ato consegue ser melhor que o primeiro pois, àquela altura do campeonato, já estamos familiarizados e envolvidos com os dramas daquelas figuras, tão humanas e tão próximas. Na nova geração de personagens que se apresenta, há também o alívio cômico de Juciara, genialmente vivida por Patrícia Gordo. E o final é algo que, daqui há 50 anos, você vai se lembrar.

O talento desta companhia hipnotiza. Eles merecem vencer todos os editais e conseguir todos os patrocínios para sempre presentearem a plateia com espetáculos como esse. Vida eterna à Velha Companhia.”

“CAIS ou Da Indiferença das Embarcações”
Texto e Direção: Kiko Marques
Com a Velha Companhia
Elenco: Alejandra Sampaio, Kiko Marques, Marcelo Diaz, Marcelo Laham, Marcelo Marothy, Marco Aurélio Campos, Maurício de Barros, Patrícia Gordo, Roberto Borenstein, Rose de Oliveira, Tatiana de Marca e Virgínia Buckowski.
Músicos: Bruno Menegatti e Tadeu Mallaman.

 

De 11 a 15 de janeiro, no SESC Copacabana

4a a Sábado, às 19:30h

Domingo, às 18:30

Sessão Extra Sábado às 15:30h.

R$ 20 (inteira)

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