Teatro musical brasileiro tem seu grande encontro em “Bibi – Uma Vida em Musical”.

Por Paulo Fernando Góes.

No shopping Leblon, em cima do Teatro Oi Casa Grande, onde está em cartaz “Bibi – Uma Vida em Musical”, sobre a maior estrela do Teatro brasileiro, uma adolescente que aparenta 16 anos pergunta para a mãe, antes da estreia VIP da última terça-feira, dia 9/1/18:

– Mãe, vamos ver o musical da Bibi Perigosa?

– O musical é da Bibi Ferreira, minha filha.

– Quem é?

– Vamos lá assistir porque você tem que saber.

O diálogo, transcrito aqui com fidelidade, parece piada mas é o triste retrato de um país sem memória. Há 2 meses atrás, a própria Bibi Ferreira, com 95 anos de idade, estava em cartaz no mesmo Teatro Oi Casa Grande em sua última turnê, “Por Toda a Minha Vida”, a primeira onde se apresentou sentada e, com um roteiro primoroso, revisitou toda sua carreira e cantou todos os highlights esperados.

Com tantos musicais sobre temas e cantores tão variados (muitos de gosto duvidoso), é de se espantar que ainda não tivessem feito um musical sobre a maior estrela do nosso Teatro. A primeira franquia da Broadway trazida para o Brasil foi “Minha Querida Lady”, em 1962, com Bibi e Paulo Autran como protagonistas. Uma ainda desconhecida Marília Pêra fazia parte do coro do musical que, na Broadway, teve Julie Andrews como Eliza Doolittle. No cinema, o papel ficou para Audrey Hepburn e em 2007, foi a vez de Amanda Acosta viver a personagem no Brasil.

A mesma Amanda que recebeu a missão hercúlea de interpretar Bibi nos palcos. Missão esta que foi cumprida com louvor. Amanda fez jus à honra e responsabilidade de sua tarefa e não decepcionou nem o público nem a crítica especializada. O corpo, a voz, o canto, a respiração, a energia, as pausas, Bibi está inteira em Amanda. E já adianto que se outra atriz quiser levar algum prêmio de Melhor Atriz de musical, é melhor esperar 2019 para entrar em cartaz. 2018 mal começou mas já é de Amanda Acosta. Assim como Bibi, ela consegue ser densa e leve. Em 2010, Amanda mostrou um lado mais visceral no monólogo “Maternidades”, escrito pelo então marido André Fusko. E nos musicais, fez ótimos trabalhos no excelente “4 faces do amor”, de Eduardo Bakr, também dirigido por Tadeu Aguiar, no fraco “O primeiro musical a gente nunca esquece”, de Rodrigo Nogueira e em “Alô Alô Theatro Musical Brasileiro”, de Kleber Montanheiro, onde sozinha, passeava por toda a história do teatro musical. Com “Bibi – Uma Vida em Musical”, Amanda atingiu um novo patamar na carreira.

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Amanda Acosta como Bibi Ferreira: novo patamar na carreira.

A história pessoal e profissional de Bibi Ferreira é contada, como não poderia deixar de ser, através do Teatro e do circo. Dentre os personagens do espetáculo, estão nomes míticos que fizeram a história do Teatro brasileiro, como Madame Morineau, Cacilda Becker, Maria Della Costa (falecida em 2015) e, com mais destaque, seu pai, Procópio Ferreira e Paulo Pontes, um dos seus maridos e autor de “Gota d’Água”. Dos tempos do teatro engajado até hoje, não ficou de fora nenhum dos seus grandes trabalhos. Há números para “Alô Dolly”, “Piaf”, “O Homem de la Mancha”, “Minha Querida Lady”, “Gota d’Água” e até para o período em que cantou Frank Sinatra. A apresentação de Bibi no Lincoln Center é encenada com um belo número de “New York, New York” (foto acima), mas faltou ali a luxuosa participação de Liza Minelli, que ficou tímida diante da grandeza de Bibi. Também está no espetáculo a justa homenagem que recebeu da Viradouro em 2003, quando foi tema do seu samba enredo.

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“Bibi – Uma Vida em Musical”: Unanimidade, o espetáculo une toda a classe teatral.

A escolha de Tadeu Aguiar para direção não poderia ter sido melhor. Sinônimo de bom gosto, Tadeu tem humor, é simples, sofisticado e não tenta reinventar a roda. Ele faz um Teatro Musical que poderia perfeitamente ser encenado na Broadway com sucesso. Iguais aplausos merecem o texto de Artur Xexéo e Luanna Guimarães. Leve como Bibi, informa sem ser didático e, o principal, diverte! Com direção musical do requisitado Tony Lucchesi, oito músicos interpretam 33 canções, das quais cinco foram criadas para o espetáculo, com letra e música de Thereza Tinoco.

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A biografada Bibi Ferreira foi uma ausência sentida e não explicada. “Não consigo lembrar de mim fora de um teatro”, descreve-se.

Na estreia VIP do dia 9/1/18, a classe artística em peso se reuniu para prestigiar este grande evento no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon. Uniu-se a turma dos musicais, do teatro alternativo, do stand up comedy, da televisão… Todos estavam lá curiosíssimos para conferir a vida de Bibi no palco e, no final, todos, sem exceção, estavam embasbacados com o que viram. Até os mais azedos críticos viraram um mel com o espetáculo presenciado. Bibi representa o Teatro. E só o Teatro tem esse poder de união.

Veja quem foram os VIP’s que compareceram à estreia para convidados de “Bibi – Uma Vida em Musical”.

Edwin Luisi e Vera Fischer. FOTO: Giulia Leal.

Edwin Luisi, de volta aos palcos cariocas com “Alair” e Vera Fischer. FOTO: Giulia Leal.

 

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Colegas de palco no espetáculo “33 Variações”, Nathália Timberg foi prestigiar o espetáculo do diretor Tadeu Aguiar. FOTO: Cristina Granato.

 

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Com invejável boa forma, Berta Loran também foi prestigiar sua contemporânea. FOTO: Giulia Leal.

 

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Atrasada, Zezé Polessa desceu do balcão no intervalo para procurar seus amigos. FOTO: Giulia Leal.

 

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Bel Kutner também compareceu à noite VIP no Oi Casa Grande. FOTO: Giulia Leal.

 

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Sentado ao lado de Nathália Timberg, o diretor Wolf Maya conferiu atento ao espetáculo. FOTO: Giulia Leal.

 

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Estrelas do Teatro Musical, Wladimir Pinheiro e Lilian Valeska marcaram presença na noite VIP. FOTO: Giulia Leal.

 

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O ator e autor Cacau Hygino compareceu ao Teatro acompanhado de Andrea Veiga, atriz também agenciada pela Montenegro & Raman. FOTO: Giulia Leal.

 

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O ator Alexandre Lino, fazendo sucesso em São Paulo com o monólogo “O Porteiro”, pegou a ponte aérea para conferir a estreia de “Bibi – Uma Vida em Musical”. FOTO: Giulia Leal.

 

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O ator Luiz Fernando Guimarães, figura rara nas estreias VIP, não perdeu a oportunidade de conferir o espetáculo. FOTO: Giulia Leal.

 

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Fil Braz, roteirista do filme “Minha Mãe é uma Peça”, foi prestigiar a amiga Luanna Guimarães, autora de “Bibi – Uma Vida em Musical”, junto com Artur Xexéo. FOTO: Giulia Leal.

 

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Participante do “The Voice Brasil” e do elenco do musical “Bem Sertanejo”, Sérgio Dalcin também prestigiou a noite. FOTO: Giulia Leal.

 

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Daniel Dias da Silva, diretor do sucesso “O Princípio de Arquimedes”, em cartaz no Centro Cultural dos Correios. FOTO: Giulia Leal.

 

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O casal Leonardo Wagner e Carlos Arruza. Leonardo está de mala prontas pro México, onde vai entrar em cartaz novamente com “Les Misérables”, agora em espanhol. FOTO: Giulia Leal.

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A sempre discreta e elegante Malu Mader. FOTO: Giulia Leal.

 

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Carla Rizzi, mezzo soprano do Theatro Municipal, não resistiu em dar um abraço no seu ídolo desde a infância, Miguel Falabella. FOTO: Giulia Leal.

 

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Camilla Amado recebe o caloroso abraço de Miguel Falabella no intervalo do espetáculo. FOTO: Giulia Leal.

 

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Dirigida por Tadeu Aguiar em “Quase Normal”, Vanessa Gerbeli também foi prestigiar o trabalho do amigo. FOTO: Giulia Leal.

 

Ex-vedete, Maria Pompeu se emocionou com o musical.

Ex-vedete, Maria Pompeu se emocionou com o musical. FOTO: Giulia Leal.

 

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A atriz Françoise Forton e seu marido, o produtor Eduardo Barata. FOTO: Giulia Leal.

 

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A apresentadora Patrícia Poeta assistiu compenetrada ao musical. FOTO: Giulia Leal.

 

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A atriz e diretora Cristiana Pompeo com sua mãe, a também cantora Carmen Pompeo. FOTO: Giulia Leal.

Embora este seja um espaço independente, sinto-me na obrigação de direcionar calorosos aplausos ao projeto Circuito Cultural Bradesco Seguros que viabilizou este belo e caro projeto. Nelson Rodrigues que me perdoe, mas “Bibi – Uma Vida em Musical” é uma unanimidade e de burra não tem nada.

“Bibi – Uma Vida em Musical”

Teatro Oi Casa Grande

Direção: Tadeu Aguiar.

Texto: Artur Xexéo e Luanna Guimarães.

Elenco: Amanda Acosta, Analu Pimenta, André Luiz Odin, Bel Lima, Caio Giovani, Carlos Darzé, Chris Penna, Fernanda Gabriela, Flavia Santana, Guilherme Logullo, João Telles, Julie Duarte, Leandro Melo, Leo Bahia, Leonam Moraes, Luísa Vianna, Moira Osório, Rosana Penna e Simone Centurione.

5a e 6a, às 20:30
Sábado às 17:00 e 21:00
Domingo às 19:00

Ingressos de R$ 25 (meia) a R$ 150 (inteira).

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