“A Tropa”: Elogiado espetáculo com Otávio Augusto encerra temporada carioca neste sábado.

Um pai doente recebe a visita dos quatros filhos no hospital. O que seria apenas um encontro em função de um parente debilitado se revela um acerto de contas familiar, permeado de humor e afeto, tendo como pano de fundo os últimos 50 anos da História brasileira, dos tempos da ditadura militar à Operação Lava-Jato. Esta é a história da peça “A Tropa”, estrelada por Otávio Augusto e dirigida por César Augusto, que cumpre temporada popular até sábado no Teatro SESI Centro.

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4 irmãos vão ao hospital visitar o pai após uma queda e o encontro acaba em um acerto de contas familiar. Foto: Elisa Mendes.

A montagem de “A Tropa” marca as comemorações pelos 50 anos de carreira no teatro do ator Otávio Augusto. Em cinco décadas, o ator trabalhou em dezenas de filmes, novelas, minisséries e clássicos dos palcos nacionais, como “A ópera do Malandro”, “Galileu Galilei” e “O rei da vela”. Longe do teatro desde 2009, Otávio Augusto ficou entusiasmado com a ideia de voltar aos palcos após ler “A Tropa”. Ele recebeu o texto do autor Gustavo Pinheiro com um convite para protagonizar a montagem no papel de um ex-militar, viúvo e pai de quatro filhos. Um homem autoritário que, no leito de hospital, vê as relações veladas da família serem descortinadas.

Os filhos são interpretados por Alexandre Menezes, Daniel Marano, Edu Fernandes e Rafael Morpanini. O embate familiar evidencia a trajetória de cada um: Humberto é um dentista militar aposentado que mora com o pai; João Batista é o caçula, jovem usuário de drogas com passagens por clínicas de reabilitação; Artur é um empresário casado, pai de duas filhas, que trabalha numa empreiteira que está sob investigação por corrupção; e Ernesto é um jornalista que acaba de pedir demissão de um jornal e está em crise com a profissão. A premissa é transposta para o quarto de hospital onde os personagens estão confinados, no qual são expostas outras enfermidades – ideológicas, sociais e familiares.

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Foto: Divulgação.

Embora tenha sido escrito em 2015, o texto já vinha, de certa forma, sendo maturado desde 2014, a partir das observações do dramaturgo sobre as últimas eleições presidenciais no país. “Fiquei impressionado com a capacidade do debate político, nas redes sociais ou fora delas, abalar amizades. Qual o lugar da tolerância na nossa sociedade hoje? E como exercitar a tolerância e a diferença em família, o núcleo mais estreito de convívio, regido pelo afeto? Esse foi o ponto de largada para A Tropa. E é curioso como o texto só fica cada vez mais atual. A cada novo lance na política brasileira – e foram muitos nos últimos meses! – o texto fica ainda mais renovado no palco”, explica o autor.

Criado por Bia Junqueira, o cenário apresenta um quarto de hospital com alguns poucos objetos que foram levados pelos filhos – de pertences do pai a presentes. Os figurinos de Ticiana Passos são contemporâneos e ressaltam as particularidades de cada um.

“A Tropa” encerra temporada neste sábado no Teatro SESI e depois segue para São Paulo. Os ingressos podem ser adquiridos no site do Ingresso Rápido.

“A Tropa”

Teatro SESI (Av. Graça Aranha, 1 – Centro, Rio de Janeiro)

Sexta-feira, às 19: 30 e Sábado, às 19:00

R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)

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