Montagem londrina do musical “Aladdin” tem o americano Trevor Dion Nicholas na pele frenética do gênio.

Por Paulo Neto.

Aladdin estreou na Broadway em 2014 e tem sido um sucesso desde então. A exemplo de outros musicais da Disney (Beauty And The Beast, The Lion King, Mary Poppins) deve permanecer em cartaz durante muitos anos (ou décadas), devido à sua incontestável qualidade.

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O gênio é brilhantemente interpretado pelo americano Trevor Dion Nicholas, vocalista e compositor da banda de indie-rock Neighborhood Golliath e vencedor do Olivier Award deste ano de Melhor Ator Coadjuvante em Musical pelo papel.

O libreto é do pouco conhecido Chad Beguelin (de “The Wedding Singer”, que recebeu boas críticas há 10 anos), com canções dos antológicos Alan Menken e Howard Ashman. Basicamente, são as mesmas canções da animação de 1992 (que completou 25 anos), com inteligentes alterações.

“These Palace Walls”, “A Million Miles Away” e “Diamond in the Rough” são canções inteiramente novas criadas para este musical. “Arabian Nights” (que estava na animação) foi excluída da produção. “Proud Of Your Boy” e “High Adventure” foram canções excluídas do filme de 1992 mas agora reinseridas no musical.

Dois dos melhores números são os esfuziantes “Prince Ali” e “One Jump Ahead”. A fofa “A Whole New World” faz os espectadores voarem no tempo. O palco inteiro, incluindo as laterais e todas as porções verticais e horizontais, é preenchido por um céu noturno e estrelado enquanto o tapete voador de Aladdin e Jasmine percorre a cidade.

Os efeitos visuais são magníficos. A cena dentro da caverna das maravilhas, completamente dourada, na qual Aladdin acha a lâmpada mágica, com inúmeras joias e tesouros é de uma beleza visual embasbacante. Os figurinos coloridíssimos enchem os olhos. São mais de 350 vestuários. O elenco é bem escolhido em sua maioria. Aladdin é interpretado por um dedicado e cativante Dean John-Wilson, que esteve recentemente na montagem não tão bem sucedida de “From Here To Eternity” (a adaptação musical do filme “A Um Passo Da Eternidade”) e compôs o cast londrino de “Sister Act” (Mudança de Hábito). Jasmine é vivida por uma quase insossa Jade Ewen, que anteriormente fez “In The Heights”, “Porgy and Bess” e foi Nala em “The Lion King”. O gênio é brilhantemente interpretado pelo americano Trevor Dion Nicholas, vocalista e compositor da banda de indie-rock Neighborhood Golliath e vencedor do Olivier Award deste ano de Melhor Ator Coadjuvante em Musical pelo papel. O veterano Don Gallagher (que brilhou em “Priscilla”) vive Jafar e na sessão que a coluna conferiu, Iago (que no musical não é um papagaio) foi interpretado pelo ótimo ator-substituto Jermaine Woods.

No ensemble há que se destacar os energéticos e carismáticos Albey Brookes, Marsha Songcome e a fulgurante Michelle Chantelle Hopewell, que tem grande semelhança física com Queen Latifah.

Há diferenças consideráveis entre o filme e o musical: o macaco Abu, o tigre Rajah e o capanga de Jafar (Gazeem) foram abolidos no musical. No filme, o narrador é um camelô. No musical, é o gênio quem abre a cortina. No filme, Jafar quer ser um feiticeiro famoso e no teatro, sonha em ser sultão. A moda agora na Broadway e no West End são sessões “autism-friendly”: apresentações modificadas para receber pessoas com autismo e seus familiares. O som é diminuído para não ser tão estrondoso e as luzes estroboscópicas e pirotécnicas são retiradas, já que podem provocar reações adversas em autistas. “Aladdin” promove algumas sessões assim.

O musical, coreografado e dirigido por Casey Nicholaw, é uma festa contagiante e incrivelmente colorida. Um espetáculo muito bem executado, com elenco competente e bem dirigido. Mais um glorioso sucesso da Disney que encanta adultos e crianças na mesma proporção. Se estiver em Londres, não deixe de ver.

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