“A Cabaça da Existência”: Espetáculo do grupo Artêros, indicado ao Prêmio FITA 2016, faz curta temporada na Casa de Baco (RJ).

A recém-inaugurada Casa de Baco, na Lapa, apesar do pouco tempo desde a abertura de suas portas, já vem firmando sua importância na cena cultural carioca. Com programação quase diária, a casa dá espaço para expressões artísticas pouco usuais nos palcos cariocas, além de oferecer um serviço de bar, noites de jazz e gafieira.

Na terça-feira, dia 6, o Grupo “Artêros”, de Angra dos Reis, estreou com sucesso o espetáculo “A Cabaça da Existência”, indicado ao Prêmio FITA no ano passado como destaque especial do júri técnico pelo trabalho de pesquisa, expressão corporal e percussão. A indicação ao FITA motivou o grupo a trazer o espetáculo para a capital.

cabaca

Inspirado no livro Igbadu – A Cabaça da Existência, de Adilson de Oxalá, o espetáculo desenvolve um enredo cheio de significações: Olorún –  o senhor supremo do universo resolveu acabar com o ócio reinante em Orún (o céu) e decidiu criar um mundo habitado por seres em tudo semelhantes a ele. Para o empreendimento, convocou todos os orixás e sob o comando de Obatalá, seu primogênito, ordenou que partissem para criar Ayê (a terra). As cenas são permeadas de danças e as narrativas apresentam de forma lúdica a história dos orixás para criação do universo, segundo a cultura Ioruba.

As crenças africanas têm um número expressivo de adeptos no Brasil. Orixás como Olorum, Obatalá e Ododuá são encenados de forma impactante pelos atores. A trilha percussiva é um diferencial no espetáculo. A peça tem como objetivo a valorização e o resgate da cultura afro, abordando questões que fazem reflexões sobre a tolerância religiosa, o empoderamento feminino, o não preconceito e o respeito a todos os seres e crenças.

“Queremos alcançar um público ainda mais diversificado com o intuito de despertar reflexões. Religiosos, estudiosos, leigos e curiosos serão muito bem vindos ao teatro”, enfatizou a produtora do espetáculo, Carmem Amazonas.

Os “Artêros” ganharam, por este espetáculo, o diploma Heloneida Studart de Cultura – honraria entregue aos grupos que atuam no desenvolvimento da cultura no Estado do Rio de Janeiro -, concedido pela Assembleia Legislativa (Alerj). A peça também esteve presente no II Festival Escenas Breves, da Casa INJU, em Montevidéu, no Uruguai.

“A CABAÇA DA EXISTÊNCIA”, de Adilson de Oxalá.

Adaptação: Felipe Barbosa

Direção: Camila Rocha

Elenco: Ramon Souza, Vitória Lopes, Letícia Mendes, Junio Bastos e, na percussão, Marcelo Rasta.

Segundas e Terças de junho, às 19:30h

Casa de Baco (Rua da Lapa, 243 / Lapa – Rio de Janeiro)

R$40.00 (inteira) / R$20.00 (meia) / R$15.00 (lista amiga)

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